domingo, 11 de julho de 2010

Como dói se encontrar

Eu, e eu, buscando um alívio
em cada copo, cada gole
refrescante o ar, ao paladar sabor
Mas e ao peito...
Ah! Foda-se!
Eu não vim aqui pra esquecer...
Porque to me lembrando do que me infortuna.

Garçon! Desce dois, desce mais...

De fato, Deus inventou o dinheiro!
Pois sabe da nossa dificuldade
Em se relacionar conosco mesmo
E financiou meios temporários de plenitude.
Ainda que seja a ilusão de minha vista embaçada
Ou o sobe desce desta rua na qual não consigo passar...

Me chama um taxi!

Em seguida o taxi chega e o motorista pergunta:
- Qual o seu destino Sr.?
Num estado instintivo repulsante respondo:
- Pode ir, vou pegar outro!

E me chega outro com a mesma proposta
Me levar ao meu pior pesadelo, eu mesmo.

E então digo ao amigo do bar, que nada falou de destino
Achou que eu estava certo em tudo
concordou com tudo que eu disse...
Bom, pelo menos não dizia nada.
Bem nem me olhava pra dizer a verdade
Mas agradeço a cumplicidade em me deixar desabafar com o uísque.

Que coisa as pessoas tem de saber o destino,
podem elas apenas viver o que lhes foi destinado a ser vivido...

Meu copo ainda tem um gole, mas ouço a voz de alguém familiar
E de fato o é... e lá se vai a chance de eu me perder de mim novamente...