sexta-feira, 24 de maio de 2013

Vida minha vida, ainda que foste minha!


Era bom acordar ainda com o orvalho noturno caindo,

Surpreendo o sol, e o galo antes de cantar.

Era brando e esplêndido brincar de carinho as 3:30 da madrugada,

“Cocurar um negosso ki”, no silencio misterioso da lua.

E soava a mim, tão prazeroso aquele árduo oficio

Das 8 horas e as vezes até 15 horas diárias de trabalho.

Para simplesmente ter ao final da jornada

O refúgio dos Deuses, a caverna da cochoeira,

O jardim secreto, a casa encantada...

Ah... aquele vida!

Choro de criança como uma velha canção de Mozart,

Um aroma sem igual, na cozinha,

Olhos atentos e massageados com a casa arrumada,

A roupa passada e perfumada no armário

E por fim... um ponto de escuridão no meio da luz.

Não havia percebido uma prisioneira, uma escrava detida,

Naquele ambiente tão harmonioso.

De fato estava distraído, por não perceber

A realidade que aquela vida me trouxera,

Seria inversamente proporcional com a vida

Que ecoava no SER daquela mulher.

E com esta revelação, pude me deter por vários instantes

De longos períodos a observar que nada daquilo a supria.

Pois a cada dia Ela morria, a cada suspiro desfalecia.

E eu, com esta descoberta a cada segundo; envelhecia...

Como pude viver sem a percepção do fato por tanto tempo,

Óh! Senhor de todos os tempos!!!

Como pude não ver, que a vida que vivia não era minha?

Ainda que fosse minha!

Não seria esta a nossa vida, mas somente a minha.

Quanto egoísta eu fui, querendo a minha vida na nossa vida.

De fato, a felicidade é um sentimento condicional!

A uns se apresenta por esta faceta, para outros sequer se apresenta...

Existe um olhar que surge de dentro que pode modificar a sua visão de felicidade,

Porém este, está inacessível a qualquer pessoa ou criatura deste e de outros mundos

Exceto ao nosso SER.