domingo, 26 de dezembro de 2010

Apego e desapego

Fitando estes olhos, não era capaz de me distrair
Mais uma vez... Eu e a minha mania de eternizar as coisas.
Não podia eu simplesmente viver aquilo, ou isto.
De fato ainda não consigo, me apego as belezas deste mundo.
Meu dedo coça para apertar o "replay", te quero de novo,
Mas minha lógica decide: - Não! Deixe-a ser livre!
Sim! A liberdade é uma constante vazia, quando se trata de relações.
A promiscuidade atual não me deixa acreditar, que um momento basta.
Por isso, vou! Não desejo ser tragado por tal infamia.
Deixe-me aqui! Afogado em alguns copos de um bom uísque
E para mim já será o bastante. De tudo serei atento àquela
Que porventura me trouxer a lucidez de volta, de que um dia
não amei em vão, ainda que não dure eternamente, mas que seja eterno enquanto dure...

domingo, 5 de dezembro de 2010

A Última Noite

Na verdade, nada do que pensa ou se analisa através da lógica racional importa, pois ela se baseia em conceitos moldados por terceiros, mas o sentir, a análise do coração, aquela feita sem palavras com plena certeza de dever cumprido, essa não tem limites, por ela todas as coisas são possíveis, todas elas são reais e tangentes. Não me vejo de volto nesse mundo, talvez porque nunca estive nele de verdade. Me vejo agora num mundo onde um momento decide a sua vida e este mesmo momento que faz a sua vida girar...
Afinal o que levamos da vida senão os momentos, ou pelo menos a lembranças destes, com todas as suas cores, melodias, cinestesia e tudo mais que por um instante tenha preenchido esse momento.
O que machuca meu peito é a percepção dos leitores em ler tais ou outras palvras, que superaram seus limites para expressar o inexprimível, descrevendo objetivamente coisas para tantos subjetivas, ou ainda, inexistentes, e ainda sim, mesmo com tamanho esforço e superação, meus amados amigos leitores respondem: - Nossa! Que palavras bonitas! O autor escreve bem!
Não companheiros, por Deus, porque se apaixonaram pelas coisas da terra? As coisas da terra nos permite ver as coisas do céu, logo é só isso que pode ser dito de um esplêndido momento como este e outros muitos, nos quais só se deseja um olhar, um suspiro, um sorriso ou não se deseja nada, nada mesmo, a consciência se faz tão grande que só o Ser já se faz suficiente inundado com o
momento e nada falta, nada precisa, não há carência, nem da própria respiração, nem do próprio pulsar, e imaginando coisas como estas eu me pergunto: - Não existe o assombro da parte das pessoas em buscar esses momentos? Será que esses momentos tão inferiores que elas vivem já bastam? Será que eu perderia um dia para fazer alguém ganhar uma vida inteira, na beira de sua morte? Quantos questionamentos tenho. Minha análise ainda é muito critica e muito severa
comigo mesmo, mas não existe parte de mim que não tenha feridas, assim como todos os filhos desta terra, não existe parte de minha vida que não seja marcada por guerras, e ainda sim estou aqui, escrevendo, buscando lutando para que toda a minha vida se reflita em apenas um momento em que fui realmente feliz, ou que pelo menos fiz alguém feliz, ou ainda, que presenciei alguém
realmente feliz, nem que por um momento, nem que seja a distância, nem que seja as custas de minhas lágrimas, mas ainda sim eu terei presenciado e sentido que não foi em vão e que a vida valeu a pena, e que sim a verdadeira felicidade existe, e que por algum motivo eu não encontrei o caminho, mas ainda bem que a encontrei pelos caminhos que passei, pois parto desta vida deixando os rastros para que aquele que por um instante sequer desejar encontrar o caminho, que não
passe por estas vielas que passei, ali jaz um caminho sofrido, no qual se aprende a custa de dor, mas a felicidade é o oposto, não jaz ali, prova que não a encontrei até aqui, mas digo, os que encontraram tiveram que renunciar, tiveram que lutar, tiveram observar, mas encontraram.

O caminho se faz caminhando, mas a caminhada se faz por instinto, não use a
mente, use o coração e ele te guiará a medida em que seu coração mereça sentir.....

sábado, 27 de novembro de 2010

Preserve a Magia!

Me inspira o brilho nos olhos do meu filho.
Que há poucos anos chegou, vindo de longe
sabe Deus de onde?! E caiu aqui nos meus braços...

(Tiros interrompem o Pensamento)

Meu filho pergunta: - Que barulho é esse?
Meus braços não alcançam todo o perímetro
a sua volta, não consigo te proteger totalmente,
mas me esforço para manter viva a sua magia
que ele trouxe do paraíso e respondo:
- São apenas fogos, filho!
Quando as pessoas estão felizes, elas fazem barulhos.
Eis que ele me reponde: - Puxa!
Então elas estão muito felizes.
Nesse momento surge um sentir e entendo,
que o homem chora sim, até berra,
mas se for por algo que ele ama.
Mas quem falou que criança é fácil?!
E meu filho retoma a sua investigação:
- Ah! Já sei! Estão todos correndo de felicidade.
Putz!
Como era difícil falar a verdade.
Espero que um dia Deus me perdoe
por tantas mentiras.
E, eu mentia muito pra preservar a magia
o brilho nos olhos e o Ser que me faz acreditar
todos os dias, que a vida vale a pena.
Sinceramente, acho que a coisa mais bonita
que disse ao meu filho até hoje foi:
- Eu te amo! Meu Filho!

Guerra Social

Sim! Estamos em guerra!
Num mundo de Malboro.
Terra de ninguém...
Há tempos perdemos o domínio do nosso corpo
Agora perdemos a posse do nosso coração.
No que nos assegura a garantia constitucional:
- É livre o trânsito em todo o território brasileiro.

Mas para que serve "A Constituição" mesmo?

Uns dizem que foi um sonho versado
em prosa por um sonhador, mas eu digo que
a situação não pertence mais a mim, e nem a vocês
mas sim àqueles que estão atrás da cortina.
Por mais que meus olhos se esforcem
em ver o melhorem tudo, não há por parte do meu coração,
uma melhor hora para dizer:
- Pare o mundo! Que eu quero descer...

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Sem Título

Se a dignidade de um homem se apresenta apenas por custos materias, tão logo , somente isso valerá a mesma, pois todo o feito deve ser feito com seus próprios ideais, ainda que difundido em outras ideías, mas originalmente suas, sempre suas. Não deve haver um homem que fale por você, você deve ser este homem, o que fala por si mesmo. Se tão assim for, cuidado, pois o mundo não te preparou pra isso, a falsa vida que nos foi imposta, não gosta de olhar nos olhos, não gosta de opiniões independentes, e eles são agressivos, muito agressivos, pois querem que você volte par o seu lugar e permaneça lá quietinho, assustando o quase intentado homem, que por um segundo percebeu a sua verdade, mas a sua verdade não gasta, não é cega, não é capitalista, nem tão pouco tem reverência a esta forma de sociedade, dita evoluída, mas o barulho da bomba o calou, e é assim que eles fazem... uma bomba, faz mais barulho que um carinho, por isso o mal parece ser maior....

O vento, venta viola...

Entardecer  no sertão, lua no alto, fogueira no chão, me encanta o vento descabelando o fogo, me encanta o fogo não oprimindo o vento, mais uma vez me encanta o vento, invadindo nosso peito, e como respeito, meu peito o abraça e alivio o alento.
Ah! Esse alento! Meu único alento! igual a esse não mais existirá, ainda que esse se repita mil noites seguidas.
Sinto nos olhos um apego, no cangote um cheiro, morena me vem visitar.
Sua saia rodada, cabelo de mola, não quero nem me conter...
Eis que me passam voando uma coruja branca, e ali, bem do lado de nós, pousa, e aguarda.
Se me faltasse algo, ainda que por um instante não conseguiria notar, quanta beleza me rodiava, quanta maravilha Deus criará, para mim e Ele ver.
E a morena, sempre tem um jeito de melhorar o que já está bom, e vai dançar em volta da fogueira e pede com os olhos que eu toque, apenas mais uma música.
Me vem a mente, sons e imagens de um velho amigo meu, que não podia ficar de fora de uma noite destas, sim, aquelas velhas cordas de aço, aquele casco timbrante, não! Não posso esquecê-lo!
- Vem a mim minha viola!
- Que meu peito aflora de tanta de alegria!
- Que a noite seja eterna até chegar o dia!
- Mas que vivamos o agora enquanto o tempo dure!
Minha morena se assenta próximo a mim, e seus olhas brilhavam tanto quanto o fogo incandescia. Não conseguia ver seu rosto, apenas sua alma, e via o fogo na sua alma o vermelho predominante do sertão, e o vento me levou pra dentro dela e ali nos fizemos um, e o vento soprava a viola, e a viola deixava ecoar os acordes e os acordes nos mostrava o caminho, para ser, sem ter que ser...

Pureza

Nenhuma palavra que seja usada para convencer, convence.
Nenhum sorriso que saia pra agradar, agrada.
Nenhuma ação egóica pra usurpar, usurpa.
veja os olhos de uma criança e me diga:
- Quantas palavras são necessárias para te encantar?