sábado, 18 de junho de 2011

Viva Gaya.

Em meio a multidão, não é possível perceber, a agonia de Gaya. Ela grita, se vira, revira, e às vezes, bem às vezes, digo às vezes por se tratar de um ato raro, quando um Homem lhe lança um ato de carinho ao plantar uma árvore, ao cultivar um jardim, ao ser solidário ao próximo, ao amar com todas as honras que se pode amar uma mulher, ela toma fôlego e resiste o máximo que pode, até que lhe falte o alento...
Minha Mãe! Terra Gaya! Como podem os humanos pisotear o cobertor de teu sagrado corpo, destruir as conexões entre filhos e mãe... certamente, não poderão estes ser chamados de filhos, nem estes lhe chamar de Mãe. Gaya!!! Gaya!!! Gaya!!! Permita que eu morra em teu seio, para renascer em teu ventre e desfrutar do doce e inefável sabor de tua boca. Não me largue nesta esquina deserta e escura, onde os mortos-vivos cruzam aos montes sem lenço nem documento, se revestindo de ovelha para aprisionar mais uma vítima de sua inconsciência, e por fim escraviza-la até que esta não tenha mais sangue para lhe oferecer.
Perdoe-os! Eles não sabem o que fazem....